Paraísos Artificiais por Francis Lummertz

1 Jun

O querido escritor, advogado e amigo Francis Lummertz, que tem um blog bacanérrimo, assistiu e comentou o filme Paraísos Artificiais. E eu aproveitei para postar aqui a ótima análise do amigo escritor.

Paraísos Artificiais

A coragem de expor e expor-se ao comentar fidedignamente imagens e relatos reais de um filme como Paraísos Artificiais. Só quem teve experiências semelhantes como as narradas na história cinematográfica pode dimensionar o que elas representam.
 
Coragem de quem relata, também, tais experiências. As sensações, alucinações, memórias e viagens psicodélicas pré-fabricadas a partir de drogas sintéticas capazes até, quando usadas de modo destemperado, tirar vidas.
 
Há pessoas que gostam de desafiar os limites do corpo e da consciência. Através de experimentos alucinógenos, pode-se subtrair-se da realidade e elevar-se a um nível de (in)consciência alucinante onde o raciocínio alia-se ao subliminar causando catarses em novos mundos.
 
Buscamos estas experiências. O ser humano sempre gostou de fugir da realidade em busca de novas sensações. E faz isto através de drogas, plantas, ferramentas xamânicas e outras diversas substâncias ainda não catalogadas.
 
Este nosso desejo de desbravar o desconhecido, testando os limites do corpo é coisa antiga. E Paraísos Artificiais nos mostra o quão sublime e devastador podem ser estas experiências.
 
Elevar o nível de consciência a patamares desconhecidos pode ser perigoso e sem volta. Nesse sentido, àqueles que usam drogas pode haver certo descompasso e reflexão. Para aqueles que não são adeptos, fica a dúvida, na medida em que provavelmente haverá curiosidade, ao passo que a mentalidade careta os freará.
 
Não estou aqui para dizer se é certo, errado, legal ou não. Tampouco para levantar a bandeira da moralidade e dizer que isto é um horror e deve ser banido da sociedade. Mesmo porque isso nunca acontecerá, considerando a humanidade, há séculos, milênios, está a desafiar os limites do corpo e, até, da alma.
 
A falsa bandeira dos bons costumes, muito tremulada por associações e instituições de classe as quais a principal plataforma é apontar o dedo na cara de quem não anda com a boiada, condenará ao inferno os produtores e idealizadores da película, bem como os que assistiram e gostaram.
 
Entretanto, quem de fato, interessante, está preocupado com a opinião dessa gente cega e falsa, pois que muitos deles abusam do álcool e cigarro, por exemplo? Pior, e quem não usa substância A ou B e agride verbal e fisicamente sua família?
 
O que levo do filme é a reflexão pelos efeitos nefastos que as drogas podem causar, a vontade de ir para uma boa balada e o exercício de melhoramento de alguns preconceitos.
Não é feio falar que já se usou drogas. Não é feio dizer que quer experimentar. Feio é usar e falar mal de quem usa. Feio é fazer intrigas quando todos sabemos ninguém é perfeito, e soldadinhos do passo certo se sabe são, na verdade, santinhos de pau oco.
Cansa um pouco ver carolas repudiando jovens por seu comportamento transgressor, moralistas de plantão destilando seu veneno na direção de quem não se esconde atrás de biombos frágeis, juízes empíricos competentes em sua função de achar que a pimenta de suas declarações, nos olhos alheios, é refresco.
Não posso condenar quem busca através de aditivos ou extravagâncias alcançar seu paraíso. O paraíso de cada um é cada um que descobrirá ao longo de suas experiências. Real ou artificial, é competência e responsabilidade de suas atitudes em relação à vida que leva e deseja alcançar ou fugir.
Por isso penso que paraíso é como você se sente quando participa de alguma coisa. E, se acreditar naquele momento, ele durará para sempre. O paraíso é um oásis que competirá a cada um encontrar. Ele está dentro de nós; seja artificial, seja real.
Por Francis Lummertz

Aproveita agora pra entrar no blog dele e conferir as crônicas postadas lá. Clique e confira.

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