Fórmula do Amor? Não Obrigado!

12 Jan

Já pararam para pensar o quão estranho é gostar de alguém? Pelo amor de Deus, durante tantos séculos de filósofos, pensadores, revolucionários e outros boêmios, criamos tantas fórmulas, teorias e demais adereços para a vida…mas continuamos sem sequer entender o motivo pelo qual gostamos de alguém.

Alguns dizem que antes de mais nada você tem que se amar e se afundar em uma relação única e inseparável com si próprio. Seria essa realmente a formula do amor? Buscar alguém que te transborde e não alguém que te complete como diz Agatha Christie? Até me pergunto de vez em quando se não é narcisismo de minha parte, ou até egoísmo, me afundar em uma relação comigo mesmo.

Outros mais conservadores são da idéia de que devemos primeiro nos abandonar, nos esquecer, para que assim possamos vir a nos conhecer junto com o encantamento de conhecer a outra pessoa! Sentido não deixa de fazer. Quando se vive em uma sociedade é impossível querer se conhecer com um relacionamento entre um. Abandonar-se e entregar-se ao próximo é um sinal de desapego carnal, do tipo “Me leva, me faz feliz!”.

Alguém tem que me fazer feliz? Eu devo me fazer feliz sozinho?

Como no repertório da comédia Terça Insana define: gostar é como pintar. Nós pintamos tudo aquilo que mais gostamos em uma pessoa, e criamos o ser inimaginavelmente perfeito. Um ser utópico. E no lugar do rosto nós abrimos um buraco.

Bom, é aí onde começamos com a parte interessante. Eu assumo desavergonhadamente que tenho incrível facilidade em colocar rostos em minha pintura, infelizmente nenhum deles prestou para com a moldura, mas quem presta, certo? Errado! Todos prestam, quem não presta somos nós! Ai que trágico, exagerei? Não amigo, prestenção: Você cria as expectativas de acordo com sua pintura. Consequentemente passa uma boa parte da vida em busca desse rosto para completá-la. Mas isso não acontece (?).

Quando você cria uma expectativa, você se enamora com um algo que vamos chamar de X, que seria dentro do exemplo principal o dito rosto. Esse X aparece na nossa vida do nada, ao atravessar a rua digamos, e lá colocamos o X direto no centro do quadro e o penduramos na parede. Infelizmente aí está nosso erro, identificamos os fatores convenientes! Ele coincide com tudo aquilo, algo deve ter de errado com o X. Então nosso incrível centro neurológico bola centenas de teorias e não descansa enquanto não encontra no mínimo 5 defeitos fatídicos no X, e lá vamos nós para os reparos do quadro, e durante a vida são milhares de adições e reparos!!! E cada vez se torna mais difícil encontrar o dito cujo de que procuramos e ‘sonhamos’.

Até que um dia, em um belo e ensolarado dia resolvemos pegar o bonito quadro que passamos mais de 10, 20, 30 anos pintando, e o jogamos na porcaria do Riacho Ipiranga, junto com todas as expectativas que tínhamos. E do nada, eis que surge o Y! E….porquê não pintarmos de novo o quadro? Ele é o certo! E lá seguimos errando, rumo ao amor e ao casamento, algumas das tragédias que a vida nos reserva.

Queridos, todos nós tivemos e teremos problemas com o jogo, mas disso não passa, será sempre um jogo! Alguns ganham, outros perdem. A questão é que sempre haverá mais uma partida para se jogar, e novas chances de ganhar…Não encontre as peças corretas, não se preocupe com isso, apenas monte o tabuleiro e divirta-se, faço do percurso algo interessante e se apaixone mesmo que por uma noite. O último a chegar é a mulher do padre (iiii….casamento!? :O ).

3 Respostas to “Fórmula do Amor? Não Obrigado!”

  1. Emanuel Mattos 12/01/2012 às 10:10 #

    Fernando,
    essa é, sem dúvida, o mais visceral dos textos que li em teu blog.
    A coragem de expor sentimentos é o que nos torna mais humanos.
    Por isso é que sempre faço questão de te ler. Consegues pensar – e transpor nos textos – uma forma original a respeito da vida, mesmo em questões tão intimistas como essa.
    Na verdade, o amor não se explica, se vive.
    Ou, como diria aquele galhofeiro: “Enquanto não encontro a pessoa certa, vou me divertindo com as pessoas erradas”.
    Um recado: fique sempre pronto para o inesperado. É dali que ele surge, brilhante como esse sol de verão.
    Fique bem.
    Abração.

    • Emanuel Mattos 12/01/2012 às 10:11 #

      Pequena correção: a primeira palavra que segue o teu nome é “esse”, e não “essa”.

  2. caco 12/01/2012 às 20:39 #

    Realmente, encontrar a moldura certa para a pintura que criamos, é uma tarefa extremamente dificil,pois muitas vezes temos varias molduras e elas nao se encaixam, ou achamos que elas nao se encaixam. Mas , as vezes temos a sorte de encontrar-mos a moldura certa e principalmente a parede para colocar-mos o preguinho e ali dependurar o simbolo do amor…mas,as vezes nos mudamos e levamos conosco a moldura e a pintura de nossos sonhos mas o preguinho q por tanto tempo apoiou a nossa obra prima fica ali, so, nu, a esperar um novo quadro, uma nova alma para preencher mais um sonho…( o importante é amar, e nao interessa, se isso nos faz felizes ou tristes,porque as vezes isso dura um dia, um ano ou toda uma vida)

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